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[08/04/2009 às 15:26 | 3 COMENTÁRIOS ]

Entreguei ontem a minha dissertação.

Cento e noventa páginas formatadas e revisadas. Escritas e re-escritas durante dois anos em tantos lugares diferentes que nem consigo lembrar direito.

Cinquenta e seis mil e setenta e sete palavras vindas de leituras, experiências, escrita de artigos, apresentações em congressos, orientações, idéias e reflexões.

Trezentos e sessenta e cinco mil trezentos e sessenta caracteres que tem a missão de exprimir o que estudei durante o mestrado, fazer sentido e contribuir de alguma maneira com a área.

Com aquelas seis cópias encadernadas e em papel branco foram-se também alguns sentimentos que me mantinham um tanto presa a uma obrigação constante. Agora que entreguei e que não há mais como fazer qualquer ajuste, inserir ou retirar qualquer palavra, confesso que dá sim um certo medo. A dissertação era como uma filha, que eu podia abraçar, educar e chingar o quanto eu quisesse e o quanto fosse preciso no período em que estivesse sobre minha guarda. Só que agora ela cresceu e me deixou aqui na expectativa de que eu tenha feito o melhor. Enquanto meu trabalho estiver longe de mim sendo lido pela banca, resta a ansiedade pela avaliação.

Uma coisa é certa, se essa dissertação fosse sobre todas as coisas que aprendi, mudei, descobri e senti não haveria espaço suficiente.

O mestrado e a dissertação, os assuntos mais falados nesse blog que deveria ser sobre tudo, estão chegando ao fim e apesar do drama característico, essa época vai deixar saudade!

Espera pelo dia da defesa. Vai ser o fim oficial de uma fase e o início de uma nova para mim.

Resta até lá escutar a trilha sonora oficial da “Línea de La Muerte“.

Para banca só peço “Please don’t let me be misunderstood!” :P

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[02/04/2009 às 12:43 | 7 COMENTÁRIOS ]

Durante esse último ano de Mestrado, fui campeã numa prática bem corriqueira dos desperates master’s degree students: colocar a culpa na dissertação e usá-la como pretexto (verdadeiro ou falso) para eximir-se das mais diversas situações. Tudo sempre começava pela frase…

“Depois que entregar a dissertação eu vou…”

…aceitar mais convites

mode = true || mode = false;

Perdi a conta de quantas vezes recusei sair,  ir no cinema ou coisinhas simples como dar uma voltinha no Parcão, por conta do incrível peso constante que a dissertação causa na consciência . Mas, não vou negar que usei também para me livrar de algumas :P .

…emagrecer e entrar para academia

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Inflei loucamente durante estes últimos meses de escrita da dissertação. Um ansiolítico somado a incrível necessidade de mastigar enquanto digito fizeram com que eu me tornasse esse ser roliço de uma tal forma que nunca fui. Poderia ter me cuidado e não deixado a situação se agravar, mas a cada ataque ao chocolate ou bolachinha pensava “preciso disso para escrever, depois da dissertação eu me cuido”. Ah. Pois é.

…voltar a dançar

mode = true;

Infelizmente verdadeiro. Parei de dançar pois o local era longe, não muito seguro e consumia um super tempo de deslocamento. A coisa começou a apertar, tive que fazer uma escolha difícil. Durante todo ensino fundamental, média e a graduação, sempre conciliei a dança como forma de hobby ou profissão. Dessa vez não deu!

.. devolver os livros que peguei emprestado

mode = false;

Estou com pilhas e pilhas de livros espalhados em minhas prateleiras prontos para serem devolvidos, afinal, faz algum tempo que não os utilizo, já que no último mês venho organizando a dissertação e fazendo correções. Ou seja, pura preguiça de separá-los alugar um frete qualquer e devolvê-los aos respectivos donos.

…escrever artigos

mode = true;

Não havia tempo, QI e sangue frio suficientes para escrever milhares de artigos enquanto escrevia a dissertação. Consegui três. Com muito custo. Mas, as idéias são muitas, anotadas no Tasks do Gmail. “É só eu entregar a dissertação…”

…ter turnos livres sem nenhuma pendência urgente

mode = false;

É óbvio que eu tive diversos turnos livres sem nenhuma atividade urgente. Acontece, que esses períodos aconteciam em grandes espaços de tempo, quando eu já estava no limite da loucura por ter corrido tanto para cumprir pendências. Aí, só me restava deitar e dormir. E no outro dia começar tudo de novo.

…ler os livros que comprei/ganhei

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Eu poderia ter lido os vários livros que estão aguardando um pouco da minha atenção nas várias viagens de 4 horas entre Porto Alegre e Passo Fundo (vice-versa) que eu fiz durante este último ano. Pura preguiça. Puro Dramin. Quatro horas dor-min-do.

…escrever na Wikipédia por livre e espontânea vontade

mode = true;

Nesse caso posso dizer que a dissertação teve um papel duplo. Primeiro o de desculpa. “Ah, agora não tenho como escrever na Wikipédia, dissertação, néam?” e segundo que me deu uma incrível vontade de escrever na Wikipédia justamente por conta dela… a Dissertação.

…ler e comentar mais blogs, pelo menos os que estão nos meus RSS reader

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Eu gastei/ganhei centenas de horas lendo blogs, comentando alguns posts e rindo loucamente das tirinhas do phDComincs ou do Cyanide & Happiness. Portanto, fake. Não li tudo o que gostaria, mas estive sempre de olho. Miss Lurker never dies ;P

…colocar em prática projetos pessoais e em parceria

mode = true;

Projetos legais e empolgantes, mas que verdadeiramente ficaram de lado por conta do meu filho que me consome.

…me concentrar mais no meu trabalho no CPD

mode = false;

É minha obrigação concentração no meu trabalho. Essa justificativa de “ai, ui, ‘gênio’ trabalhando” é uma bobagem tosca. Realmente estou decepcionada comigo mesma em relação a isso, só posso dizer que voltar a me concentrar é prioridade.

…estudar sem compromisso algo nada relacionado com a área de estudo/trabalho

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Isso vem de muito antes do período pré e durante dissertação. Vem antes da Graduação. Segui para Computação por que sempre gostei e via (vejo) futuro na área. Mas sempre pensei em estudar Astronomia, Religião (especificamente Hinduísmo, já que tenho paixão platônica pela Índia muito antes da novela tosca e com o Márcio Garcia de protagonista, me poupe, OMFG! das 21 ou de Slumdog Millionaire. Taj Mahal é meu ideal de lugar perfeito desde os 12 anos). Ou ainda Dança, bom, nem preciso dizer o porquê.

Esse quadrinho do phDComics descreve bem o incrível <internaljoke>”turbilhão de emoções”, a “efervescência de sentimentos”, “a volubilidade do grau de desespero”</internaljoke>1  que permeia as centenas de semanas abarcadas pelo Mestrado e o criação de um produto final capaz de demonstrar dois anos de trabalho: a dissertação.

Daqui uns seis meses, se eu me lembrar e o blog ainda existir, recapitulo cada uma das situações para as quais eu utilizava a dissertação como desculpa.

Se na análise empírica, a maioria apresentar mudanças significa que eu evoluí bonito! \o/

Se não, significa que eu encontrei outra coisa para usar como desculpa ¬¬  :p

  1. Termos para fazer jus ao apelido horrível que o meu orientador inventou

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